Quem sou eu
Quem Sou
Meu nome é Flávio Vieira, tenho 46 anos, sou assistente social e psicanalista.
Por muito tempo vivi enfrentando a depressão, a ansiedade e crises emocionais que quase me fizeram desistir de tudo. Hoje entendo que eu me entregava intensamente às pessoas, mas não sabia receber esse mesmo carinho de volta. Eu amava, ajudava, acolhia e me doava por inteiro, mas havia algo essencial que estava faltando: aprender a me amar.
Percebi que precisava deixar de ser o "coitadinho" e o "bonzinho" que tentava salvar todo mundo enquanto esquecia de si mesmo. Claro que existe beleza em amar, ajudar e se doar, mas também é necessário olhar para dentro e cuidar de quem somos. Com o tempo, entendi que somente me amando de verdade eu seria capaz de amar o outro de forma saudável.
Mesmo assim, muitas vezes me sentia inseguro. Era como se algo estivesse constantemente me puxando para baixo. Eu me sentia desvalorizado, ignorado, como se fosse invisível. E quando o amor surgia em meu caminho, eu não conseguia reconhecê-lo. Acreditava que não era merecedor e acabava me afastando.
Era nesse momento que a ansiedade, a depressão e a angústia encontravam espaço para me dominar. E, para ser sincero, ainda existem dias em que elas tentam me dominar. A diferença é que hoje eu sei quem sou. Sei que sou forte. Sei que devo dar um passo de cada vez.
Aprendi que as lutas nunca vão terminar. Algumas eu vencerei, outras não. Porém, sempre me levanto. E faço isso quantas vezes forem necessárias, porque toda vez que me reerguo, volto um pouco mais forte, um pouco mais sábio e com uma nova sensação de alívio e aprendizado.
A depressão não é fácil, e você não deve enfrentar essa batalha sozinho. Sempre precisamos ter alguém ao nosso lado. Mas nem sempre será um amigo ou familiar. Muitas vezes acreditamos que as pessoas que mais amamos terão todas as respostas, mas elas também possuem suas limitações. Não é por falta de amor ou de vontade de ajudar. Muitas vezes elas simplesmente não sabem o que estamos enfrentando e não conseguem oferecer aquilo que nunca aprenderam a dar.
Durante minha vida, ajudei muitas pessoas que não conseguiram retribuir o apoio que receberam. E isso não foi culpa delas. Elas apenas não possuíam a escuta, a empatia e o preparo necessários para acolher uma dor tão profunda.
Por isso, quando você se sentir sozinho, mesmo estando cercado de pessoas, talvez seja a hora de procurar alguém que possa realmente ajudá-lo. Alguém que possa dizer aquilo que você precisa ouvir, mesmo que nem sempre seja o que você deseja ouvir. Afinal, o processo de cura muitas vezes exige tocar na ferida antes de tratá-la.
Sim, o processo pode ser doloroso. Mas a vitória chega. Sempre chega.
Gosto de comparar nossa caminhada à de um bebê aprendendo a andar. Caímos, levantamos, nos machucamos, tentamos novamente e seguimos em frente. O processo se repete inúmeras vezes até que descobrimos que cair não é o problema. Cair faz parte do aprendizado.
Quando lemos a história de Moisés atravessando o Mar Vermelho, encontramos uma mensagem poderosa. Imagine aquele imenso mar se abrindo e Moisés conduzindo o povo para a liberdade. Eles passaram pelo mar, atravessaram o problema e seguiram adiante. Já os soldados do faraó tentaram fazer o mesmo caminho e foram engolidos pelas águas.
É aí que está a diferença.
Você passa pelo problema. O problema não deve passar por você.
Meu desejo é que esta página alcance o vazio que existe em seu coração e ajude a aliviar a dor que talvez você esteja carregando em silêncio. Mas, se mesmo assim sentir que precisa de alguém para caminhar ao seu lado, envie uma mensagem.
Talvez eu não tenha todas as respostas. Mas prometo ouvir você com respeito, empatia e acolhimento.
E, a partir desse momento, o seu problema também passará a ser um pouco meu.
Juntos, podemos encontrar um caminho mais leve, mais saudável e, acima de tudo, cheio de esperança.
[conferir antes de publicar: “Quem sou” diz 46 anos e “psicanalista”; o e-book diz 45 anos e formação em Serviço Social]












